sábado, 18 de agosto de 2012

PÉ NA ESTRADA



      Depois de dias de expectativa e ansiedade - vivendo o tira e põe na mala – chegou o dia da viagem. Acho que já contei para vocês que a experiência de viajar só para outro país provoca em mim um certo desconforto e insegurança. Desta vez não foi diferente...
      Mas o que eu estou dizendo??? Aconteceu algo diferente, sim!!! Logo na primeira parte da viagem entre Vitória e S. Paulo,  no avião, experimentei algo muito gratificante: Não me senti mais só ou insegura!!!!! O que causou isto?

        Simplesmente comecei a pensar nas pessoas queridas... Os meus familiares que de alguma fora me enviaram – fiquei pensando nas lembrancinhas que mandaram e eu estava levando – percebi o amor que envolvia todo o processo da minha viagem. E os que me esperam lá com a alegria do reencontro??? Meu mundo mental, emocional – e porque não dizer? – físico se tornou povoado por todos eles.

         Mas, graças a Deus, meu universo relacional é muito maior... pensei em todos os amigos (especialmente as amigas) que me desejaram feliz viagem, os que torcem para que meus dias fora sejam felizes, os que me seguem e sustentam com suas orações, sentem minha falta e esperam meu retorno... Pronto... não estou mais só. Que sensação boa! Estão comigo os que me enviam e os que me recebem. Tenho uma casa em muitos lugares... Isto me traz muita alegria e paz ao coração. Tudo está bem, até mesmo passar tantas horas nos aeroportos e o cansaço das 24 horas de viagem. Vejo o rosto de cada um – os que me enviam e os que me esperam  na ida e na volta -, me sinto plena, nada me falta.

     Chego à conclusão que a distância não existe quando os corações estão próximos, quando cuidamos para que os laços que nos unem não se rompam, e quando, sempre que possível, não deixamos o mato crescer no caminho da casa dos que nos são importantes.
Eu queria tirar umas fotos nos aeroportos, mas o cansaço foi maior.

     Então, estas fotos são do Canadá, meu primeiro dia de verão canadense no campo, matando as saudades, domiiiiiindo, andando no quintal, tirando fotos e colhendo flores do campo.


















                             ESTAS SÃO PARA VOCÊ!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

ENTRE DOIS LUGARES

Olá!
Quando tenho uma viagem programada sempre acontece comigo ficar um tempo entre dois lugares. Estou aqui, cuidando das coisas que tenho para fazer, mas já pensando na viagem... arrumando malas... providenciando e fazendo coisas para levar... pensando na roupa apropriada conforme o clima e atividades programadas... as outras diversas providências que preciso tomar... e a expectativa da viagem em si. No tempo que antecede uma viagem costumo sentir que não é fácil pegar as malas e ir só, para outro lugar ou outro país. Ó ansiedade!!!!!
Mas é maior a feliz expectativa de reencontrar pessoas tão amadas e rever um país que eu gosto. Ó Canadá!

Trabalhos manuais que fiz entre lá e cá.



Panos de prato.



















Toalha infantil com a Galinha Pintadinha

Se Deus quiser o próximo post será do Canadá.


Um grande abraço para você!

sábado, 28 de julho de 2012

PEQUENAS BOLSAS


    Toda mulher tem um caso de amor com suas bolsas. Há quem morra por uma bolsa de marca, há quem gosta de bolsa grande, e outras já gostam de bolsas pequenas...  Mas numa coisa concordamos: não conseguimos ficar sem nossas bolsas e arrumamos um jeito de colocar dentro delas coisas que um homem não acredita.

    Eu gosto de bolsas grandes e práticas, gosto também das bolsas de tecido e fico sempre procurando um novo modelo para fazer. Aliás, tenho sempre um projeto de bolsa que ainda não fiz...

     Mas acho as bolsinhas de tecido muito úteis, servem para usar a qualquer hora, cabe o essencial e por isso são leves.  Como estou me preparando para viajar fico pensando em coisas que preciso levar. Na semana passada acordei um belo dia com inspiração para fazer bolsinhas. Antes mesmo de tomar café eu já estava desenhando bolsas e procurando os retalhos que serviriam para o meu projeto.

Partilho com vocês minhas pequenas bolsas.





quarta-feira, 18 de julho de 2012

BURRINHO COM FLORES




       Quando eu vejo em um jardim um velho carrinho de mão cheio de flores sempre paro para olhar, pois acho muito bonito, e acho que as pessoas geralmente gostam. Digo isto porque no ano passado numa viagem à França, na região da Normandia, vimos um cavalinho com uma carroça de flores decorando à beira da estrada. Diante do apelo geral dos passageiros o motorista precisou passar bem devagar para que pudessemos fotografar.

      Outro dia minha sobrinha Terezinha me mostrou o resto de um pano de prato muito velho que ela tinha ganhado de presente. Ela gostava tanto do bordado que guardou o pedaço do pano de prato e me pediu para fazer algo com aquele desenho.

       É interessante como as vezes as coisas ficam guardadas em nossa memória e um belo dia é despertada por alguma coisa. Quando eu já tinha terminado o pano de prato da Terezinha e estava começando um para mim, por engano colei o burrinho com flores virado para o outro lado! Isto deu um clik na minha memória e eu lembrei que uma vez, no Canadá, eu vi uma revista de patchwork em que o bordado  era feito a partir de uma foto. Quando vi o burrinho com flores virado para a direita lembrei-me da foto que eu tirei na França e achei que estava parecido...

       Então, sem querer eu fiz a técnica de bordar a partir de uma foto. Isto despertou em mim o desejo de, andando por aí, prestar atenção e fotografar cenas para depois transformar em bordado. 

domingo, 8 de julho de 2012

GATOS & PESO DE PORTA



Amendoim 
     Nossa família gosta muito de gatos e muitos têm gatos em suas casas. E temos algumas história interessantes com gatos que costumamos recordar quando nos reunimos.

      Entre outras histórias me lembro do Nino, um gatinho siamês da Valéria que vivia doente. Ela foi viajar e recomendou muito cuidado com o gato. Acontece que ele foi atropelado na porta de casa e morreu. E agora, como contar pra ela que o gato tinha sido atropelado???? O pai dela ficou preparando a notícia da morte contando que o gato, que já era doentinho, piorava a cada dia. Quando chegou o dia de sua volta, enfim, o gato morreu. Assim a notícia não foi muito traumática. Depois teve o Mac que ficou doido e mordeu a Verinha; e a Jelly Bean, da Verinha, terrivelmente mal humorada; e o Smoke da Myrna que, segundo consta, pulou da varanda na piscina. E  atualmente tem o Amendoim que foi adotado por Valéria, Pedro e Aline. Estava quase morto por maus tratos e hoje está grande e bonito.

E o peso de porta?

      Eu estava precisando de um peso de porta mas não encontrava um que me agradasse. Outro dia vi uma figura de gato que achei interessante. Então tive a idéia de fazer com ela um peso de porta. Pensei que uma garrafa pet daria uma boa estrutura. Assim, desenvolvi este peso de porta com um gatinho simpático.

MATERIAL
·         Tecido na cor escolhida para o gato.
·         Tecido preto para o focinho e o fundo
·         Fio encerado para os bigodes
·         Botões para os olhos.
·         Linhas para costurar e bordar a boca.
·         Uma garrafa pet de 500ml cheia de areia.
·         Manta acrílica
Para fazer precisa ter noção de costura.

Desenhados numa folha de papel chamex
Veja o desenho dos moldes.

Cabeça: molde 1 - corte 2 x no tecido e borde os detalhes da cara.

Nesga do queixo: molde 2 - corte 2x no tecido – costure na cabeça unindo A com A e B com B.
Costure a cabeça e encha com pedaços da manta acrílica ou outro enchimento.

Corpo: molde 3 - corte 2 vezes no tecido e 2 vezes na manta acrílica e costure dos lados. Vire para o lado direito e prenda a cabeça no corpo com pontinhos.

Rabo: molde 4 - corte 2x no tecido e encha com pedaços de manta acrílica. Prenda con pontinhos no meio da parte de trás do corpo.

Vista a roupa do gato na garrafa de forma que a parte da tampa ultrapasse o pescoço – para a cabeça ficar firme. Feche com alinhavo o fundo da roupa franzindo como um fuxico.

Fundo: molde 5 - corte 1x em tecido preto. Prenda com ponto caseado para fazer o acabamento.
Para finalizar prenda com um pontinho o rabo do lado do corpo do gato.

sábado, 30 de junho de 2012

COISAS PEQUENAS



     As vezes as coisas pequenas nos passam inteiramente despercebidas. Mas se prestarmos atenção veremos que elas dão o meio tom na vida. Observe uma fotografia, uma pintura e até mesmo um bordado. Se não tivessem os meios tons as cores predominantes não seriam realçadas e não haveria harmonia na arte final.

Florzinhas do campo - Capadócia - Turquia
      Coisas pequenas podem ser observadas na natureza – uma pequena flor, o musgo, os insetos, pedrinhas, etc. Pode não parecer mas as coisas pequenas são o termometro de um relacionamento; quando elas deixam de acontecer o amor, respeito, gentileza, amabilidade, bondade, vão desaparecendo. Pequenas palavras amáveis, pequenos gestos que demonstram carinho, atenção e cuidado tornam a vida mais harmoniosa – ressaltam as cores da vida.

        Penso que as mães são especialistas em coisas pequenas que as vezes nos passam despercebidas. Para mim é um conforto lembrar de pequenos gestos  da minha mãe, que aconteceram há muito tempo...

Nestes dias me ocupei em fazendo coisas pequenas e para gente pequena.







O caderno de Balet para minha amiguinha Vivi.


 Toalhinhas de mão em patch apliquê. 



Almofadinhas de tricô com flores. Fiz as almofadas em cordões de tricô com linha Anne dupla.  Coloquei  48 malhas na agulha e fui tecendo até ficar do tamanho da almofada - faça menor lembrando que o tricô espicha.


FLOR DE TRICÔ

Feita em ponto cordões de tricô.
Coloque  80 malhas na agulha.
Faça até ter 6 carreiras de cordões de tricô
Na próxima carreira faça 10 pontos, torça a peça para dentro; faça mais 10 pontos  – continue assim até o final. O movimento de torcer o trabalho vai formar as pétalas.
Faça mais uma carreira em tricô. Arremate.
Com linha e agulha faça o acabamento da flor. Coloque uma conta como miolo.

As flores são sempre feitas com 80 malhas o que torna uma flor maior ou menor é a grossura da linha ou lã usada.

domingo, 10 de junho de 2012

BORDANDO A VIDA



Da esquerda: Ester, Zélia, Elza, Eunice
      Fazendo uma retrospectiva vejo que a arte de bordar sempre fez e faz parte da vida de muitas mulheres em minha família. Mulheres de Minas que tecem no bordado sua história, na realidade simples de suas vidas. Mulheres de famílias autossustentáveis e autodidatas onde o conhecimento era passado dos mais velhos para os mais novos. Mulheres calejadas nas precisões da vida, que aprenderam nas dificuldades a se contentarem com pouco, a não desperdiçar nada, a transformar tudo em algo útil. Mas pagaram um preço pela vida contida. Há nelas uma certa dureza e muitas vezes colocam o dever acima de si mesmas. Aprenderam a desconfiar dos sonhos e a se realizar nos outros, na doação, no serviço. Mas, no deserto de suas vidas uma flor insiste em brotar, uma flor que muitas vezes é revelada em seus bordados.

      Minha família é muito simples, do interior, da roça. Uma família com valores claros, definidos. Com grande fé em Deus e coragem para trabalhar e vencer as dificuldades da vida. A vida dura não deixava muito espaço para a beleza. Mas as mulheres da família semeavam beleza nas flores do jardim e nos bordados. Somos mulheres fortes e frágeis. Que se deixaram levar pela vida e por circunstâncias que não podiam ser vencidas no momento, mas que no silêncio e no trabalho alcançaram a vitória e foram muito além do que as limitações da vida e cultura lhes permitiam. Mulheres que venceram barreiras e deram significado às suas vidas. Que, de muitas formas, estiveram à frente do seu tempo, sem fazer alarde. Somos sobreviventes, resistentes.  Sempre procurando conservar o espírito jovem, tendo motivação para viver, abrindo-se para a vida. Vida que muitas vezes nos levou por caminhos que nunca pensamos trilhar, sem deixar que o tempo e as mudanças nos abatam. Nosso corpo envelhece, enfraquece, nossa alma cresce. Muito desta força foi, e é, tecida em nossos bordados. Bordamos nossas alegrias e tristezas; bordamos para assimilar os golpes da vida; bordamos como forma de recolhimento para achar forças para o passo seguinte.

          Bordamos a vida... o bordar é tão mágico quanto ler um bom livro. Ambos nos levam a um mundo diferente – mundo das letras e imaginação, mundo dos pontos e cores criando beleza. Minhas irmãs fizeram e fazem o tecido, o bordado, da minha vida. Aprendi muito com elas.

     Enfim, bordar para nós é lazer, descanso, exercício de criatividade para o cérebro, forma de oração, recolhimento em si mesma para vencer as dificuldades da vida.  Assim vamos nós bordando a vida. Num trabalho em que o espiritual e o emocional se entrelaçam nesta atividade humana. Bordar a vida é para nós uma forma de encontrar o divino e costurar os contrários em nós.

     Não tive a oportunidade de ver muitos bordados antigos, mas existe esta bela toalha de bordado vazado feita por tia Lia. Tia Lia nasceu em 1888 e era a filha mais velha dos meus avós paternos. Ela mesma desenhava o risco. Esta toalha ela bordou para as bodas de ouro dos pais, em 1936. É interessante que olhando algo que ela bordou posso sentir um pouco de sua vida e de como era ser mulher na época em que ela viveu, pois, sempre revelamos um pouco de nós naquilo que fazemos.

Toalha de mesa feita pela Ester.


Ester, minha irmã mais velha, borda ponto cruz e é especialista em bordado livre. Aprendi a costurar com ela.








Jogo de cozinha feito pela Zélia



A Zélia faz de tudo um pouco, mas sua especialidade é o ponto cruz e crochê.












A Elza borda belos quadros. O meu preferido é este sobre a natureza que ela me deu de presente.
Outro quadro da Elza


Almofada em patchwork crazy



Eu já fiz de tudo, mas atualmente minha paixão é o patchwork, especialmente o crazy e apliquê.



Rendo minha homenagem à todas as mulheres da família que bordam a vida.