domingo, 6 de outubro de 2013

UMA MÁQUINA DE COSTURA


Acho uma máquina de costura um objeto mágico, pois com ela podemos fazer o que nossa imaginação criar em trabalhos manuais e roupas. Com ela podemos fazer tantas coisas... e isto nos dá liberdade – se quero uma roupa deste ou daquele modelo não dependo de encontra-la para comprar, eu a faço.

Para minhas irmãs Ester e Zélia uma máquina de costura foi o instrumento de trabalho que ajudou a sustentar a família. Eu nunca fui uma costureira profissional, mas sempre fiz todas as roupas para minha família. Meu filho fala que quando ele era adolescente os amigos elogiavam e perguntavam onde ele comprava as roupas – eram modelos exclusivos da mãe.

 Essa história de amor com uma máquina de costura vai se repetindo por gerações na família. Lembro-me da minha mãe costurando todas as roupas de nossa numerosa família. Hoje vejo a alegria da Nina que está descobrindo o que ela pode criar com uma máquina de costura... E a Verinha que sempre fica desejando uma máquina e desejando aprender a fazer coisas com ela. Um dia ela vai chegar lá...

Quando a Elza me pediu para fazer uma capa para sua máquina de costura eu gostei muito da ideia. Então eu só podia bordar uma máquina de costura antiga parecida com aquela onde eu, criança ainda, costurei os primeiros pontos e fiz roupas de boneca na velha  máquina de mão da minha mãe.

Para completar transcrevo um texto da Zélia sobre a máquina de costura e sua vida da costureira.

 MÁQUINA DE COSTURA 

“Linhas e linhas nas linhas da alma. O artesanato das mãos atingia as origens de nossas causas. O que bordávamos no pano bordávamos mesmo era dentro de nós. Em cada desenho entrelaçado de linhas, o entrelaçamento das tramas que são próprias da vida real. Os ciúmes, os desejos secretos, os medos sem causa, os justificáveis. Em cada linha  e cor, um respiro de esperança, um pedacinho de dor. Sou mulher de bordados extensos. Nunca temi a demora das tramas. Enquanto isso eu envelheço. À minha querida sobrinha Neuza, muito obrigada pelo presente: a réplica de uma máquina de costura, uma caixinha de música. Esse presente me fez lembrar o quanto uma máquina de costura foi minha companheira por toda minha vida.”

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

PAVÊ DE COCO


Cada família tem suas receitas preferidas, não é mesmo? Eu tenho esta receita de pavê de coco há muito tempo – nem lembro quem me deu – e já fiz muitas vezes nas comemorações de aniversário e Natal. Ela é simples e fica muito gostosa. É a sobremesa preferida da Valéria e por isto eu fiz no aniversário dela. O pavê ficou com essa cor amarelada porque fiz com ovos caipira que tem gemas bem amarelas.

PAVÊ DE COCO
Ingredientes:

2 latas de creme de leite (300gr cada)
3 ovos
3 colheres de sopa de manteiga
11 colheres de sopa de açúcar refinado
100gr de coco ralado
1 colher de chá de baunilha
200gr de biscoito maria ou maisena – melhor ainda se for biscoito de leite e coco.

Em uma tigela junte as gemas, 8 colheres de açúcar, a manteiga e a baunilha. Bata por cerca de 5 minutos. Deixe na geladeira.

Em outra tigela maior bata as claras em neve, 3 colheres de açúcar e junte o creme de leite gelado e sem o soro – leve o creme de leite à geladeira por cerca de 24 horas antes para separar o soro.
Junte o creme de gemas reservado, batendo até misturar bem.

Em uma tigela refratária coloque uma camada do creme, uma camada de biscoito e polvilhe coco ralado por cima. Repita esta sequencia - a última camada deve ser de creme com coco ralado polvilhado por cima.

Leve ao congelador. Antes de servir deixe por cerca de ½ hora na geladeira para ficar na consistência ideal...

...E SABOREIE ESTA DELICIA!!!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

PIZZA PARA O LANCHE


Final de tarde, lanche em família. Um dia comum na semana, mas cada pessoa presente é especial, e é muito bom poder viver a alegria de sermos especiais uns para os outros. Como diz uma propaganda: “não tem preço”. Realmente nada se compara a isto! Então partilho com vocês a receita da pizza que eu e Aline fizemos.

Receitas... há receitas que nos acompanham por toda a vida - vieram de nossas avós, mães, tias, amigas... Lembram bons momentos... as vezes vividos há muito tempo atrás... Outras copiamos de uma revista, de um livro, da internet... às vezes estão a tanto tempo conosco que não lembramos mais sua origem. Foi a Lucinha quem me deu esta receita de pizza. De onde ela tirou? Não sei. Mas é uma delícia.


PIZZA COBERTA

Massa:
1 pacotinho de fermento seco para pão
1 xícara (200ml) de leite
½ xícara (200ml) de óleo
1 ovo
1 colher de chá rasa de sal
400gr de farinha de trigo
Misture todos os ingredientes e amasse muito bem – talvez você gaste um pouco mais ou menos da medida de farinha de trigo. Por isso vá colocando aos poucos. Deixe a massa descansando e prepare o recheio.

Recheio:
1 lata de molho de tomate – use o quanto for necessário.
1 cebola cortada em rodelas finas
250gr de catupiry – pode ser substituído por creamcheese
300gr de presunto picado
300gr de queijo muçarela picada ou ralada – eu gosto de misturar outros tipos de queijo a gosto: parmesão, provolone, gorgonzola, prato...
Orégano
Azeite
1 ovo para pincelar por cima.

Montagem da pizza:
Divida a massa em 2 partes. Abra uma parte forrando uma forma para pizza de 30cm de diâmetro.
1.    Espalhe um pouco de molho de tomate cobrindo toda a massa.
2.    Espalhe por cima a cebola fatiada.
3.    Em seguida o catupiry.
4.    Adicione o presunto picado.
5.    Espalhe outra camada de molho de tomate.
6.    Salpique orégano e regue com um fio de azeite.
7.    Ponha os queijos misturados.
Abra a outra metade da massa e cubra a pizza – para facilitar abra em cima de um plástico.


 Faça cortes no centro da pizza e vire as pontas para fora. Pincele com o ovo batido e polvilhe queijo ralado e orégano. Leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até corar. Nós gostamos da pizza mais corada.

Bom apetite.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

BOLSA E POESIA


      Eu penso que na vida nada é por acaso. Até mesmo as pequenas coisas como aquilo que gostamos ou detestamos revelam algo do nosso ser e as vezes algo que desconhecemos. Por isto é importante prestarmos atenção às nossas preferencias. Algo que não representa nada para outros para mim é importante, enche meu coração de alegria e vice-versa.

      Por exemplo, eu gosto de flores e se puder coloco flores em tudo o que faço. Gosto também de passarinhos, borboletas e paisagens. Isto revela o prazer que a natureza me dá – a natureza revigora a minha vida. E por morar num lugar muito urbano sinto saudades da natureza e fico atenta a qualquer flor que brota em meio às pedras ou nas rachaduras do asfalto. Vejo que trago isto a todo meu processo criativo nos trabalhos manuais que faço.

     
Bolsa porta notebook
       A Míriam gosta de laços - até em seu vestido de noiva tinha um laço! E, como ela diz se seguir seu desejo vai colocar laços em tudo. Então quando ela me pediu uma bolsa, bem... só poderia ser com laços! E como nada é por acaso enquanto fazia a bolsa da Míriam lembrei-me que quando eu era bem jovem eu gostava muito de laços... e isto se perdeu em algum lugar..., mas foi bom recuperar este gosto através da bolsa da Míriam.

         Enquanto eu trabalhava na bolsa, criando um modelo, escolhendo as cores, cortando e costurando, eu pensava na poesia de Mario Quintana: O laço e o abraço. Por isto a trago aqui, como um presente para Míriam e para todas nós que gostamos de laços e abraços. 
E quem não gosta?????

O LAÇO E O ABRAÇO
Mário Quintana

Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso... Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

Muitos laços e abraços carinhosos para você!

domingo, 25 de agosto de 2013

A SEIS MÃOS

 ARTESANATO NO CANADÁ

Acho que a Verinha gosta de me ver fazendo trabalhos manuais... talvez seja para ela uma boa lembrança... E quando estou me preparando para ir à sua casa ela sempre sugere alguma coisa para eu fazer. Desta vez tivemos a alegria de ter conosco a Celeste.
Trabalho a seis mãos... expectativa... será que vai dar certo?
Cada uma sugere algo ou um modo diferente de fazer coisas já conhecidas e vamos criando, as artes vão surgindo na partilha do conhecimento da arte do artesanato e da experiência de cada uma. Experiência de criatividade, de trabalho e de vida. Idades diversas, partilha e boa convivência. 

Assim fizemos os colares com fio Melodia segundo o gosto e criatividade da Verinha. As flores de crochê e a echarpe de tricô ficaram por conta da Celeste. Cada uma partilhou sua experiência na criação de coisas belas. A Celeste é uma artista do tricô, então eu fiz para ela um porta agulhas de tricô e crochê e ela fez para mim um belo colete.


PORTA AGULHAS DE TRICÔ E CROCHÊ
BORDADO by VERINHA
ECHARPE DE TRICÔ by CELESTE
COLETE by CELESTE
COISINHAS QUE FIZ ANTES DA VIAGEM
NECESSAIRE PARA MÍRIAM

ORGANIZADOR DE BOLSA PARA LUCINHA

domingo, 4 de agosto de 2013

UM POUCO DE SLAVE LAKE

   
  A cidade de Slave Lake fica na província de Alberta, Canadá. É chamada de "Jóia do Norte"   e tem cerca de 7.000 habitantes - 40% da população são indigenas. Aqui predomina as belezas naturais, uma natureza selvagem. É comum ver pela beira das estradas cervos, alces, ursos - ainda bem que não vi nenhum -  e outros animais. Os principais pontos turísticos são o lago e a montanha. 

   
 O forte da economia é o petróleo que é extraído como no início do século passado: uma pessoa descobre que tem petróleo em sua terra, fura um poço e ela mesma extrai o óleo. Então é comum ver aquelas bombas - que costumamos ver em filmes mais antigos - trabalhando no campo. Por isso é uma cidade de pioneiros.

     



  A cidade foi marcada por uma tragédia em sua história quando em 2011 um grande incêndio, originado na floresta que cerca a cidade, surgiu em 2 pontos e destruiu pelo menos um terço da cidade, consumindo casa, carros e outros bens dos moradores que ficaram presos pelo fogo e se refugiaram em estacionamentos de lojas - graças a Deus não houve perdas de vida humana. Os sinais do incêndio estão por toda a cidade. Foi um dos maiores desastres naturais da história do Canadá. Hoje os habitantes com força e esperança buscam reconstruir suas casas e suas vidas.

O lago

PÔR DO SOL NO LAGO

A natureza






Caminhando na trilha para ouvir o canto dos pássaros
na floresta boreal
A floresta boreal forma uma catedral da natureza onde só
 se ouve o canto dos pássaros.
A tenda indigena.




Fotos: Eunice e Míriam
O museu indigena e da vida selvagem.

Foram dias muito bons que passei aqui... agradeço à Deus e ao Caleb e Míriam por isso. Amanhã volto para Ottawa e de lá para o Brasil - para casa




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

PELAS RUAS DE SLAVE LAKE

 
   Ontem fui encontrar a Míriam na saída do trabalho para passearmos a pé pela cidade. 5 horas da tarde, o sol alto no céu... parecia mais meio-dia! Nosso destino era o parque da cidade. E lá fomos nós caminhando e clicando o que nos chamava a atenção. Às vezes não resistíamos e fotografavamos os jardins das casas. 

       Foi assim que vimos do outro lado da rua o mais belo jardim de todos, com belas flores vermelhas. Queriamos ver as flores de perto mas o jardim ficava nos fundos da casa. Então atravessamos a rua e viramos a esquina para vermos o jardim de perto. Primeiro eu pensei que fossem dálias, mas chagando mais perto vi que eram papoulas dobradas como eu nunca tinha visto. 

       Lá estavamos nós fotografando o jardim quando a dona da casa veio falar conosco, e foi logo perguntando se queriamos sementes; nós agradecemos pois não tinhamos onde plantar. Assim conhecemos a Winie, uma pessoa muito simpática. Nós também nos apresentamos como brasileiras e ficamos conversando um pouco. Ela nos convidou a entrar no seu jardim para vermos as flores de perto. Ganhei o dia!

       Como foi bom encontrarmos uma pessoa tão acolhedora nessa terra distante. É a beleza do ser humano. É por gestos assim que nos reconhecemos humanos - não importando a nacionalidade ou cultura - e se renova a esperança na terra.

As flores do jardim da Winie

Cenas da cidade  
              




Os trilhos que cortam a cidade me lembram Minas Gerais





O parque
Fotos: Eunice e Míriam